quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

O MEGA DRIVE É MAIS PODEROSO QUE O SUPER NINTENDO?

 


Se você fizesse essa pergunta para a maioria dos jogadores, a resposta provavelmente seria "não". Muitos poderiam pensar ou até afirmar:

"O Super Nintendo foi lançado em 1990, dois anos depois do Mega Drive. Sendo mais novo, é claro que ele é mais potente!"

Ou ainda:

"A configuração técnica do SNES fala por si só: mais cores, mais efeitos de sprites nativos, um chip de som superior e uma resolução melhor!"

Se olharmos apenas por essa perspectiva, eles não estariam totalmente errados. De fato, o SNES, por ser dois anos mais novo, trouxe avanços técnicos significativos. Seu hardware era poderoso, e não posso negar isso. Na verdade, comprei um SNES especificamente para jogar a trilogia Donkey Kong Country, encantado pelos seus belos gráficos e trilha sonora memorável. Naquela época, eu jogava sem essa rivalidade que vemos hoje; meu único objetivo era me divertir com bons jogos.

No entanto, antes disso, eu era jogador de Mega Drive e conhecia bem sua biblioteca. Quando passei a ter um SNES em casa, comecei a notar algumas diferenças intrigantes. Comparar era inevitável. Algumas observações me chamaram atenção:

  1. Os jogos do SNES, em geral, eram mais lentos.
  2. Havia menos elementos simultâneos na tela.
  3. A resolução parecia mais "cortada".
  4. O som, muitas vezes, era abafado, com um aspecto de "corneta" no fundo.
  5. O tom dos jogos era mais lúdico, e muitos conteúdos eram censurados.

Essas percepções já existiam naquela época. Com o tempo, por meio da internet e das redes sociais, além da leitura de livros e revistas especializadas, fui adquirindo informações mais aprofundadas sobre o tema. Isso me permitiu compreender melhor porquê o Mega Drive se destacava tanto em jogos multiplataforma quanto em exclusivos.


Mas, afinal, o que torna o Mega Drive mais poderoso?

Na verdade, a pergunta correta seria: o que faz o Super Nintendo ser menos poderoso?

No papel, o Snes possuía um hardware mais avançado. No entanto, seu ponto fraco era o processador lento e a complexidade do sistema de programação de sprites e os modos gráficos. Esse seu calcanhar de Aquiles foi crucial pra reduzir seu poder em forma prática.

Os próprios desenvolvedores afirmavam que o Processador Ricoh 5A22 não dariam conta das configurações máxima que foi divulgada pela Nintendo. Por exemplo, no departamento de resolução, a Nintendo informou que o Snes tinha capacidade de fazer jogos de alta resolução, a tal 512x478 pixels, mas, sabemos que na prática, raramente passava de 256x224 pixels, porque aquela resolução exigia mais processamento e poderia comprometer seu desempenho.

No departamento de cores, o SNES era capaz de exibir 256 cores simultâneas, mas na prática, em jogos comuns ficavam entre 80 a 120 - Ok, ainda superior ao Mega Drive, mas havia jogos que chegavam até menos que 80 cores, uma diferença não tão grande em relação ao seu rival que chegava a 64 cores simultâneas e alguns jogos até ultrapassavam esse limite, como é o caso de Vectorman. O maior destaque do SNES, na verdade, era a paleta total de cores: 32.768 contra 512 do Mega Drive, garantindo visuais mais variados e, por isso, você sempre tinha uma sensação de beleza de cores mais vivas e mais claras que do Mega Drive. Entretanto, devemos ressaltar, que quando o Snes colocava mais cores, isso tinha um custo, impactava sua performance devido ao seu processador lento.

Outra discrepância entre teoria e prática era a quantidade simultâneas de sprites e o tamanho dos sprites. Segundo as especificações, o SNES poderia exibir 128 sprites simultaneamente contra 80 do Mega Drive. Mas, na prática, a impressão era o contrário. Porque, na média os jogos do Snes ficavam entre 40 a 80 sprites simultâneos e o famigerado "flickering" (piscamento de sprites) era um problema frequente no SNES, pois, ao atingir o limite de sprites por linha, alguns deles desapareciam ou piscavam para simular um número maior de elementos, sem contar uma frequência maior de slowdown quando ultrapassava o limite de capacidade de processamento do seu processador. O Mega Drive, apesar de ter um limite teórico de até 80 sprites simultâneos, conseguia manter mais elementos ativos sem tantos cortes ou piscamentos e ter uma menor frequência de slowdown, devido ao seu processador mais veloz. Isso fazia com que muitos jogos multiplataforma tivessem mais ação e fluidez na versão do Mega Drive.

 


Além disso, o Snes, na teoria, o tamanho de sprites poderiam ter até 64x64 pixels, o dobro do Mega Drive, mas essa vantagem nem sempre se traduzia nos jogos. Para evitar sobrecarga e flickering muitos jogos no SNES usavam sprites menores do que o limite teórico, geralmente na faixa de 16x16 ou 32x32 pixels.  Ou seja, na prática, praticamente igual em performance do Mega Drive, porém, o Mega tinha uma grande vantagem, ele tem maior poder de distribuição de sprites, ou seja, ele é melhor em gerenciamento para colocar mais elementos simultâneos na tela. Isso explica, porque muitos jogos no Mega Drive tinham mais ação e movimentação rápida, enquanto no SNES alguns jogos tinham sprites mais bonitos (devido principalmente as cores), mas rodavam de forma mais lenta e com menos elementos simultâneos.

O SNES possuía 8 modos gráficos especiais, sendo o mais famoso o Mode 7, que permitia rotação e zoom dos sprites, criando um efeito tridimensional. No entanto, apesar dessas sofisticações, por que a Nintendo precisou fabricar tantos chips especiais para melhorar o desempenho gráfico do SNES? Cerca de 80 jogos utilizaram chips auxiliares para compensar as limitações do console. Já o Mega Drive precisou de apenas um jogo com chip especial. Isso prova que o SNES dependia muito mais de "ajuda externa". Se é um console tão poderoso, porque precisou de tantos chips especiais? Alías, vale lembrar que o Mega conseguiu desenvolver vários efeitos gráficos não nativos com uso de técnicas de programação via softwares, exemplos não faltam, como Castlevania Bloodlines, Contra Hard Corps, Adventures Batman and Robin, Pier Solar, Paprium, Alien Soldier, Vectorman e tantos outros.

Se o SNES fosse um aluno, seria aquele garoto mimado da escola que precisava de aulas particulares para melhorar seu desempenho. Brincadeiras à parte, gosto do SNES. Pode não parecer, mas a diferença é que, ao contrário de quem abandonou o Mega Drive quando o SNES foi lançado, eu continuei jogando ambos e pude comparar melhor suas características.


E pra finalizar, em relação ao som, é indiscutível que o chip da Sony, é mais sofisticado, oferecendo uma qualidade de áudio melhor, dando destaque para usos de sons mais realistas, com melhores aspectos de ambiente e instrumental, criando trilhas mais atmosféricas e eruditas. Porém, devido a ser baseado em samples, ela tinha em boa parte sons abafado, filtrado e tinha uma característica de corneta. Em alguns jogos, os sons de impacto eram fracos por causa da filtragem de áudio. Por isso, tínhamos uma sensação que as músicas do Snes tinham menos grave. E, quando se tratava de músicas mais eletrônicas, perdia muito para o chip Yamaha do Mega Drive. Então, por incrível que pareça, mesmo sendo um chip superior, o Mega, em alguns estilos musicais, conseguia se sobressair.

Então, você quer dizer que o SNES é menos poderoso por causa do seu processador e suas limitações de gerenciamento dos modos gráficos e sprites?

Basicamente, sim. Mas há outro ponto importante: o Mega Drive foi projetado para ser mais destemido que o SNES.

O Mega Drive foi lançado em 1988 para superar o NES. O SNES, por sua vez, chegou em 1990 para competir com o Mega Drive. Só que, surpreendentemente, o Mega conseguiu enfrentar o SNES em várias frentes e até superá-lo em muitos jogos. Isso é incrível, pois o Mega sempre sofreu preconceito da mídia, dos produtores e dos jogadores, que insistiam que ele era inferior ao SNES e eles fabricaram diversos mitos contra ele.

Os desafios enfrentados pelo Mega Drive na época:

  • Cultura de muitos produtores e varejistas que estavam alinhados com a Nintendo, o que resultava em menos empenho na criação de jogos de qualidade para o Mega Drive. Além deles estarem com contratos de exclusividade e ter uma forte ligação de amizade nos negócios com a Nintendo.

  • A maioria das revistas da época eram tendenciosa ao SNES, reforçando a ideia de que o Mega Drive era tecnicamente inferior. Isso se dá o motivo de que a maioria dos editores nasceram jogando com Nintendinho e eles viram o Mega Drive como um “inimigo”, devido o marketing agressivo que a Sega America fazia. “Blast Processing”, “Genesis Does Whatnintendot” e "Welcome to the Next Level” foram slogans de marketing que, até hoje, afetam os fans da Nintendo.

  • No Brasil, a maioria das locadoras priorizavam o SNES, dando a falsa impressão de que o Mega Drive não fazia sucesso. Sendo que em termo de mercado interno, a Tectoy conseguiu um Maket Share de 70%.

  • Infelizmente, o Mega Drive teve alguns jogos com qualidade fraca e level design pobre, o que contribuiu para a disseminação de certos mitos, como áudio chiado e com agudos excessivos, paleta de cores escuras e vozes roucas. Todo console possui jogos ruins, mas, no caso do Mega Drive, algumas desenvolvedoras não dedicaram atenção necessária a títulos de grande nome por diversas razões. Assim,  o console precisava constantemente provar que esses mitos não passavam de lendas.



Então, o Mega Drive sempre teve que provar seu valor, mostrando que era capaz de produzir jogos com gráficos e sons de qualidade, tão bons, ou até melhores, que seu rival. No entanto, essa realidade foi abafada por anos, e muitos ainda acreditam, até hoje, na narrativa de que o SNES era superior em todos os aspectos. E você acabou de aprender, que essa afirmação é falsa.

O tempo se encarregou de desconstruir todos esses mitos. O Mega Drive provou que era capaz de entregar jogos coloridos, com efeitos de sol, iluminação, rotação e zoom, desmentindo a ideia de que era tecnicamente inferior. Hoje, qual é o console que mais recebe atenção dos desenvolvedores independentes? Qual já conta com mais de 100 jogos novos lançados recentemente?

Isso não significa que o Super Nintendo seja um console ruim ou inferior. O objetivo deste artigo é mostrar como, ao longo do tempo, muitas percepções foram distorcidas e, hoje, o Mega Drive vem sendo enxergado de uma maneira diferente. Até mesmo jogadores que cresceram com o SNES estão percebendo o que deixaram de experimentar nos anos 90.

A rivalidade entre Mega Drive e SNES é eterna, mas quero ressaltar que, apesar das diferenças técnicas, ambos os consoles ofereceram experiências de jogo inesquecíveis e divertidas. Embora eu considere o Mega Drive superior em muitos aspectos técnicos, além de muitos jogos ter superado as versão do rival, não posso negar que o SNES, independente disso, também entregou jogos melhores que no Mega e, que também tinha algumas superioridades técnicas que não vou abordar nesse artigo. Porque, no final, a escolha entre um e outro é questão de preferência pessoal, e ambos os consoles merecem ser lembrados e celebrados por sua contribuição para a história dos videogames.

O Super Nintendo sempre será o console mais “Pop”, querido pelos brasileiros e pelos influenciadores digitais. No entanto, eles nunca poderão escapar da sombra de um console preto que os perseguirá: o Mega Drive. Enquanto alguns fãs mais fervorosos do Super Nintendo podem se sentir incomodados com a presença do Mega Drive, outros, como o youtuber Cogu, do canal Cogumelando, podem simplesmente aproveitar o Mega Drive sem deixar de achar que o Super Nintendo é superior tecnicamente. Essa é a beleza da diversidade de opiniões e preferências no mundo dos videogames.

O Mega Drive sempre será o console mais “rock'n'roll”, adorado pela galera alternativa e por quem realmente curte todos os consoles, já que a grande maioria desse perfil, são menos apaixonados por marcas e sim mais apaixonados por jogar. Então esses jogadores, em boa parte deles, assim como eu, jogou sem preconceito o Super Nintendo, mesmo achando que o Mega era melhor em diversos aspectos. Eu, por exemplo, nunca deixo de mencionar a trilogia de Donkey Kong Country e como o Snes também produziu excelentes jogos como: Metroid, F-Zero, Megaman X, Top Gear, Super Mario World 1 e 2 e seus maravilhosos RPGs.




Então, concluo, que independente da minha opinião, que mesmo você não concorde com o que foi dito, o Mega Drive teve seu espaço conquistado e conseguiu produzir belíssimos jogos que até hoje ainda são lembrados e produzidos remakes. E qual sua opinião? Deixe nos comentários.

Pra resumir todo o artigo:

Principais vantagens do Mega Drive sobre o SNES que me faz acreditar que ele seja mais poderoso:

  • Processador mais potente e veloz: 7,6 MHz, podendo fazer overclock, enquanto o SNES rodava a 3,58 MHz.

  • Barramento mais eficiente: 16/32 bits, enquanto o SNES tinha um barramento de 8/16 bits.

  • Capacidade de processamento de polígonos superior: O Mega Drive podia processar 2.000 polígonos por segundo, contra 800 do SNES.

  • Processador de som mais versátil por ser um sintetizador FM e ser mais fiel ao som dos arcades dos anos 80. Som FM nativo, permitindo timbres sintéticos únicos e trilhas sonoras mais "eletrônicas" e vibrantes. Graves potentes, dando mais impacto a músicas de ação e arcades. Sons metálicos, percussão intensa e distorção característica do chip Yamaha.

  • Melhor gerenciamento de sprites, oferecendo na prática, maior quantidade de sprites simultâneos na tela.

  • Em jogos de ação (navinha, plataformas, beat em ups, run n gun) e esportes, apresentavam uma jogabilidade mais rápida e fluida.

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